15.2.14

Solus



Quiet Calamity by Megatrue (dA)


Na inércia das eras, onde a humana compreensão do tempo e do espaço tornam-se uno ao incógnito, a fundirem-se na caldeira do acaso, estou submerso... Só, pairo onde jamais serei encontrado. Perdi-me há muitas, incontáveis noites nas tortuosas e escuras labaredas do ocaso. Sequer sabes quem sou? Sequer sei quem sou?

Confronta-me; conta as tuas mentiras. Tu, reflexo maldito do que não sou. Os estilhaços do céu rasgam minha carne; sangro escuridão.  O desalento é soprado pelas árvores, envolve-me num gélido abraço. Com o que resta, agarro-me.

Um grito mudo; ensurdecedor silêncio. Olhar penetrado que nada vê. O invisível a preencher-se com infinda densidade. O passado a tornar-se o agora; o agora que se torna o nunca mais. O suspiro que move nuvens, as quais sobre a terra derramam lágrimas que queimam. Dor apreciada, inconstante, infinita.

Sou feito de reticências.

Um comentário:

Su M. disse...

Essa é graça do passado, amor. Ele é o que nunca mais.
E tudo isso significa que tu também és infinito.

Se apoia em mim se precisar. Eu sou um ponto final.


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Se parar de postar, vou estragar esse banner aí. auhsuahsua
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Love you.